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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

2.1 - A criação da vaca

A CRIAÇÃO DOS ANIMAIS DO PRESÉPIO
No sexto dia da Criação, Deus criou os animais terrestres.
Deus disse: “Voem as aves sobre a terra, nos céus. E a terra se encha de seres vivos: animais domésticos, répteis e animais selvagens”. E assim foi criada a maioria dos animais.
Mas Deus pensou: “Ainda faltam os principais animais, aqueles que terão uma missão especial a desempenhar no meu presépio. Faltam ainda o burro, a vaca, o cordeiro e o homem”.
A criação da vaca
Para modelar a vaca, Deus tomou areia do mar. Aproveitou cada onda que vinha dar na praia para molhar a areia e ir modelando a sua escultura. Quando a terminou, iluminou-a com uma luz quente e potente. Mal a luz chegou aos olhos da vaca-de-areia, eles se abriram e a vaca tornou-se um ser vivente.
E Deus disse à vaca:
– Tu serás um ser que alimenta, além das suas crias, muitos outros animais. Saciarás a sede deles com o teu leite abundante, fresco e cremoso.



Serás a alegria de Minas Gerais, pois fornecerás a matéria prima para os diversos e saborosos queijos que serão servidos nas suas mesas fartas. Saciarás a fome de muitos com esse alimento saudável e gostoso.
Graças ao teu leite e aos seus derivados, fortalecerás os ossos das pessoas, para que elas tenham uma estrutura sólida e possam agüentar o peso que venha a recair sobre elas.
Muitas vidas serão adoçadas com a delícia do doce-de-leite e com a ambrosia.
Darás a tua carne para que outros seres tenham vida. Ajudarás assim a fomentar a paz e a concórdia em muitas famílias, graças ao teu sacrifício.
Serás um animal forte, capaz de puxar a canga atrelada ao arado. Por ti os campos serão revolvidos e abrirás um sulco profundo para que a semente penetre na terra e dê frutos.
Uma parte dos teus descendentes, os touros, terão uma força descomunal e serão temidos pelos outros animais, embora alguns pretendam disputar em força e habilidade com eles.
Dos teus chifres farão uns instrumentos musicais poderosos, os berrantes, que servirão para conduzir outros animais da tua raça por caminhos seguros.
Mas devo alertar-te para que não caias na tentação da vaidade e do orgulho, pois diversos povos, pelas tuas muitas qualidades, te valorizarão mais do que é devido: pensarão que és um animal sagrado, e alguns chegarão mesmo a fazer imagens de ouro tuas para adorar-te. Mas não te deixes enganar: lembra-te de que as tuas qualidades são dons que recebeste de Mim e recorda sempre que já foste um montão de areia do mar.

2.2 - A figura da vaquinha do presépio

– Vó Zuza, a senhora pode explicar-me de que pessoas a vaca é figura?
– Miro, já lhe tinha dito que assim se perde a graça. Por que você não se arrisca a interpretar a história da Criação?
– É que tenho medo de errar na minha interpretação.
– Não tenha medo. Se você errar, eu o corrijo. Mas não quero dar a explicação de mão beijada.
– Então vou arriscar. A senhora disse que a vaca daria a sua carne como comida e que alimentaria abundantemente outros seres. Penso que essa passagem faz referência à Eucaristia. Pois Jesus deu a sua própria carne para alimento da nossa vida espiritual.




– Você arriscou mesmo e quase acertou! Mas a vaca não é figura de Jesus presente na Eucaristia, e sim o cordeiro. Tudo o que você disse se aplica perfeitamente ao cordeiro. Você nunca reparou no que diz o padre João Romão, na Missa, ao levantar a hóstia consagrada antes da comunhão?
– Acho que me lembro, sim. É verdade! Ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
– Então, Miro! Mas vamos deixar o cordeiro de lado, pois agora estamos falando da criação da vaca. Deixe-me explicar-lhe. Há dois alimentos principais para o nosso espírito, a Eucaristia, como você bem disse, e a palavra de Deus. Como diz a Bíblia, nem só de pão se alimenta o homem, mas também de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Saciam a fome e sede de felicidade e de bem dos outros as pessoas que conhecem bem a palavra de Deus, a põem em prática e a ensinam aos outros. Assim fortalecem muitas vidas cristãs, para que se mantenham firmes contra as tentações, contra os maus costumes do ambiente em que vivem.
Conheço muitos sacerdotes que estudam a palavra de Deus e preparam bem as suas homilias de domingo, e assim alimentam as pessoas saciando a sua fome de verdade e de Deus. Alimentam as crianças com o leite espiritual tantas professoras de catecismo, que explicam pacientemente as principais verdades da fé, preparando os seus alunos para a primeira Comunhão e para a vida.
E a palavra de Deus, meditada na leitura do Evangelho, bem “ruminada” no estudo da doutrina da Igreja, torna-se saborosa como o melhor doce-de-leite do mundo, como a mais gostosa ambrosia. Quem a saboreia quer depois dá-la a conhecer, adoçando também a vida das pessoas que se encontram à sua volta.
– Então, vó Zuza, a vaca, com o alimento da sua carne, representa todas as pessoas que ensinam a palavra de Deus na igreja?
– Não só essas pessoas. Representa igualmente aquelas que sabem ensinar a palavra de Deus com a vida. Cristãos que abrem o seu coração com simplicidade aos colegas, e conseguem inflamá-los com o seu amor a Deus e aos outros, com os seus valores e ideais elevados, com o seu desejo de santidade. Eles não se encontram somente nas igrejas, mas em qualquer lugar deste mundo de Deus. O bom exemplo de vida cristã de tantos pais em suas casas e de muitos colegas nas escolas e nos ambientes de trabalho é o arado que remove o coração de muitos, abrindo sulcos profundos, para que depois a palavra de Deus penetre a fundo e não encontre resistências.
– Mas o contrário também é verdade: não adianta apenas falar bonito, pois se a pessoa não vive o que fala, as outras pessoas não a ouvem e, além disso, pensam: quem é esse para me falar disso?
– É verdade. Mas não é preciso sermos perfeitos em um assunto para falar dele; basta que vejam que nos esforçamos por viver aquilo que ensinamos.
– Vó, e o que significa o berrante na história da criação da vaca?




– Significa os bons costumes cristãos adquiridos na infância, como por exemplo oferecer o dia a Deus, abençoar os alimentos, rezar alguma oração em família, montar o presépio na época de Natal... Com o tempo, esses costumes soam alto na memória e no coração das pessoas e as fazem retornar ao caminho seguro. Mais alguma pergunta sobre a criação da vaca?
– Tenho sim: por que Deus quis alertar a vaca sobre o perigo da vaidade?
– Ora, porque a vaidade é o grande perigo, a tentação mais forte das pessoas boas e que sabem muito, e que ensinam aos demais as verdades de Deus. Como muitas vezes ficam em evidência e recebem elogios do povo, podem atribuir a si mesmos o que é resultado principalmente da graça e da palavra de Deus nas suas vidas.
– Deve haver muitas vacas e bois por esse mundo de Deus, não é verdade?
– Muito menos do que você pensa, Miro!
– Mas os pais não se preocupam em ensinar aos filhos as verdades sobre Deus e o mundo? E não ensinam os seus filhos a comportar-se de forma cristã?
– Não pense que todos os pais por aí são como os seus. Sem dúvida que todos os pais querem o bem dos seus filhos, e lhes dizem que devem ser bons, que devem fazer o bem, mas não indicam como podem ser bons, nem o bem que deve ser feito. Às vezes, não falam porque não sabem, outras vezes porque não vivem o que dizem. E os filhos acabam ficando desorientados no mundo.
– E o que esses pais deveriam dizer aos seus filhos?
– O que os pais cristãos sempre disseram: que a fé é para ser vivida, que a nossa felicidade está em seguir os mandamentos de Deus, que devem levar uma vida de oração e de amizade com Deus, que é importante ir à Missa, que é preciso respeitar os mais velhos, que não se deve roubar, nem mentir, que não sejam consumistas, que perdoem aos demais, que sejam pessoas de paz, que vivam a castidade e se guardem para o casamento e sejam fiéis. Tudo isso e muito mais.
– Vó Zuza, se a senhora deixar, vou colocar a figura da vaca mais perto da figura do Menino Jesus, pois acho que ela merece.

2.3 - A convocação da vaquinha

A CONVOCAÇÃO DOS ANIMAIS
– Vó Zuza, a senhora já explicou a historia da criação do burro e da vaca, mas ainda não contou como se cumpriram as profecias de que uma vaquinha estaria no presépio!
– Então, passemos à essa parte da história: o cumprimento das profecias sobre a vaquinha do presépio.
O Anjo Gabriel já tinha sido enviado a Maria, para anunciar que Ela seria a Mãe do Messias. E como Maria tinha respondido generosamente que sim, Deus já estava presente no seu seio. Talvez tenha sido o momento mais importante da história dos homens e de toda a criação! Embora no momento em que isso aconteceu, ninguém o tenha percebido, pois Maria não quis contar a ninguém que estava grávida.
A convocação da vaquinha do presépio
Nisso, Deus chamou o anjo Fanuel e disse-lhe:
– José está preocupado porque Maria em breve dará à luz a Jesus e terá que amamentá-lo. Por isso, pediu-me um presente: uma vaquinha leiteira, para que Nossa Senhora possa tomar leite durante estes dias. Portanto, Fanuel, vai resolver este assunto.
Ontem, José e Maria bateram à porta de uma casa bem pequena, de uma família pobre; são pobres, mas não miseráveis: têm uma vaquinha que dá leite, em quantidade suficiente tanto para eles quanto para a Sagrada Família. Convence a vaquinha a passar uns dias no presépio, e os seus donos a emprestá-la. Mas não reveles aos donos que o meu Filho está para nascer.
Fanuel dispôs-se a cumprir essa missão com criatividade, entrando naquela mesma noite nos sonhos dos donos da vaquinha. Ao acordar, a dona da vaquinha contou o seu sonho ao marido:
– Meu bem, eu tive um sonho muito diferente esta noite!
– Pois eu também. Mas conte-me primeiro o seu.
– Sonhei com um anjo cujo nome era bem estranho: Fanuel. No sonho, ele dizia-me que eu tinha fechado o coração a Deus por não ter acolhido aquela família que havia batido à nossa porta, ontem de tarde. Expliquei-lhe que a nossa casa era pequena e que não caberiam aqui. E perguntei-lhe então: “Que posso fazer?”
Não esperava resposta alguma, quando ele me disse: “Pelo menos, leve-lhes um pouco de comida e empreste-lhes a vaca para que possam tomar leite enquanto estiverem na gruta. E deixe a senhora dessa família utilizar o seu fogão a lenha quando Ela quiser”.
E acordei decidida a fazer tudo o que o anjo me disse no sonho.
O marido disse-lhe:
– Pois eu sonhei o mesmo. Só pode ser coisa de Deus! Vamos levar-lhes a nossa vaquinha.
Enquanto isso, o anjo Fanuel foi convencer a vaquinha leiteira.
– Vaquinha leiteira tão formosa, sou Fanuel e venho da parte de Deus para informá-la de que Ele escolheu você, dentre muitos outros animais, para que o sirva e adore o seu Filho na gruta de Belém.




Assustada, a vaquinha respondeu:
– Tem certeza? A mim?! Não é possível! Você, pelos vistos, não sabe que o meu prestígio não anda lá muito alto por aí!
– Vaquinha, não importa o que os outros animais pensem de você; só interessa o que você é diante de Deus!
A vaquinha disse com a voz tristonha:
– Está bem, está bem, eu vou!
Mas Fanuel continuou:
– Formosa, você não pode ir ao presépio como quem vai para o matadouro! Deus não a deixará entrar! Deve ir alegre como quem vai para o céu, pois o presépio é precisamente uma das suas portas.
E insistiu:
– Há alguma coisa que a preocupe? Abra o coração comigo, para que eu possa ajudá-la.
– Fanuel, aposto que, se eu for com você, dirão que não tenho opinião própria, que sigo o primeiro que aparece, que sou uma vaquinha-de-presépio.
– Formosa, não sou qualquer um! Venho da parte de Deus! E seguir a Deus é o que vai dar sentido pleno à sua vida. Cumprir a missão para a qual Deus a destinou é que dará sentido e realização à sua vida.
Mas vejo que você ainda se preocupa muito com a sua imagem e que é isso o que a impede de aceitar a vontade de Deus. Formosa, não tenha vergonha de ser boa! Os que se comportam mal e falam mal de você é que deveriam ter vergonha do que fazem! Sem o menor fundamento, acusam os que conhecem a Palavra de Deus e são coerentes com os seus ensinamentos de “radicais” ou de “vaquinhas-de-presépio”. Mas não dê ouvidos aos animais nem aos homens, pois poucos são de total confiança; dê ouvidos a Deus.
Em Deus não se pode crer a meias. Ou cremos que Ele é a verdade, a bondade em pessoa, e que tudo que nos diz e pede é para nosso bem, ou não acreditamos que seja Deus! Orgulhe-se de ser uma vaquinha de presépio, e não tenha receio de ser feliz, como jamais será nenhum dos que a acusarem.
– Puxa, Fanuel, que bronca você me deu! Mas fez-me ver as coisas mais claramente. Agora, sim, estou preparada para entrar no presépio. Estou disposta até a ser incompreendida, se Deus assim o permitir.
Mal a Formosa terminou de aceitar a sua convocação para o presépio, os seus donos chegaram para apanhá-la e levá-la até a Sagrada Família.
José assustou-se ao ver que traziam uma vaquinha leiteira para o presépio, mas imediatamente agradeceu a Deus que o seu pedido tivesse sido atendido tão rapidamente. Além da vaquinha, os vizinhos traziam também alguns queijos e uma torta, e puseram o seu fogão de lenha à disposição de Maria.