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terça-feira, 8 de novembro de 2011

3.1 - A criação das ovelhas

A criação das ovelhas e cordeiros
No sexto dia da Criação, Deus criou os animais terrestres.
Na criação dos cordeiros e ovelhas, Deus utilizou a neve mais branca das altas cordilheiras. Fez de uma só vez vários bonecos de neve, no formato do Cordeiro idealizado na sua mente. Depois de terminar os bonecos, deu um longo assobio. Mal o som chegou aos ouvidos das ovelhas e dos cordeiros, eles se tornaram seres viventes.




E Deus disse-lhes:
– Vós, cordeiros e ovelhas, sereis seres que vivem para os outros. A vossa felicidade estará em pensar nos outros antes de pensardes em vós mesmos. Tereis o saudável costume de estar sempre pendentes dos outros cordeiros e ovelhas. Além da pele, tereis uma cobertura de lã, macia, sem qualquer aspereza. Sereis incapazes de machucar algum outro ser. Por vossa lã, muitos já não sentirão mais frio no inverno e poderão vestir-se de forma elegante.
Nenhum animal será capaz de uma generosidade como a vossa: sereis capazes de dar a vida pelos outros, amorosa e silenciosamente.
E o mais importante: um dia, alguns dos vossos descendentes estarão na gruta de Belém, e roubarão o coração do meu amado Filho desde aquele momento em que ainda é um bebê.
– Vó Zuza, a senhora deixa-me tentar descobrir de que tipo de pessoas os cordeiros e ovelhas são figura?




– Claro que sim, Miro. Gostaria de conhecer a sua interpretação.
– Pois bem, elas tornaram-se seres vivos quando ouviram o assobio de Deus. Sabemos que Jesus diz de si mesmo que é o Bom Pastor que guia as suas ovelhas. Logo, as ovelhas e cordeiros são figura de todos os homens que ouvem o assobio de Jesus e o reconhecem e o seguem.
– Com certeza, Miro, mas não basta. Como é que as pessoas se fazem figura das ovelhas que seguem Cristo?
– Penso que é quando levam uma vida sacrificada.
– Muito bem, é isso mesmo! Mas ser sacrificado não basta para ser ovelha! Pois há muitas pessoas que se sacrificam na vida para ter fama, sucesso, dinheiro, beleza física, até mesmo para fazer coisas erradas. Essas pessoas não são ovelhas.
– É verdade. Então, deixe-me completar a minha resposta. São ovelhas aquelas pessoas que sabem sacrificar-se não movidas por interesses pessoais, mas por amor a Deus e por amor aos outros.
– E não é que você está ficando sabichão?!
– Vó Zuza, não me trate como criança! Sabe quantos anos tenho? Quinze!
– Puxa, com quinze anos eu comecei a namorar o seu avô e com dezenove nos casamos!...
Mas voltemos à explicação da história. Foram cordeiros e ovelhas tantos mártires do cristianismo que derramaram o seu sangue e deram a vida por Deus; e também o são aquelas pessoas que se sacrificam por amor a Deus e aos outros dando a sua vida gota a gota, dia a dia. São elas que seguem mais de perto Jesus Cristo, que é o Bom Pastor e ao mesmo tempo o Cordeiro, que deu a sua vida silenciosamente por todos nós. Mas ainda há outras pessoas que são ovelhas. Quem você acha que são?
– Acho que... vou deixar a senhora explicar.
– Pois bem, as ovelhas também representam as pessoas que têm um coração manso, que não se irritam à toa, que renunciaram à cólera nas suas vidas, que abandonaram o furor e a raiva, e por isso vivem alegres e com uma paz imensa na alma. Essas pessoas normalmente criam um ambiente muito agradável ao seu redor, um ambiente de descontração e de carinho, fundamental para que os outros se sintam bem.
A lã da ovelha representa a capacidade de lidar com pessoas de temperamento mais agressivo. Como diz um antigo ditado: “Nada pára melhor a força de uma bala do que a lã”. Por tudo isto, as ovelhas aquecem o ambiente, dão calor e aconchego aos outros.
– Como fazem falta, hoje em dia, ovelhas no nosso mundo, né, vó?! Eu que não tenho muitos anos, nem muita experiência, percebo como as pessoas por aí vivem irritadas, tratam os outros de maus modos e com grosseria. E acabam machucando as pessoas com quem se relacionam, até as que mais amam.
– Sim. E como essas pessoas “não aceitam levar desaforo para casa”, e querem devolver todas as ofensas que sofreram, acabam passando mal e sofrem terrivelmente.
Às vezes, é por tão pouca coisa!: um pequeno atraso do ônibus, uma explicação mal dada de uma professora, ou um pequeno percalço na hora do café da manhã, quando uma criancinha derruba o leite. Basta qualquer dessas coisas para que o seu dia já azede. E vão carregar o seu mau humor por horas e horas, senão por dias inteiros. Além de que criam um clima insuportável à sua volta.
Miro, por tudo isto que vimos, as ovelhas e os cordeiros merecem estar bem perto de Jesus no presépio, pois são como Ele: mansos e humildes de coração. 

3.2 - A convocação das ovelhas

A convocação das ovelhas e cordeiros
Chegada já a véspera do Natal, Deus chamou o anjo Fanuel para que cumprisse a terceira parte da sua missão.
– Fanuel, Eu gostaria de dar uns cordeiros e umas ovelhas ao meu Filho, que vai nascer amanhã, como presente de Natal. Deves, portanto, convocar as ovelhas e os carneiros para o Natal. Desta vez, não precisas convencer o pastor que as vigia: basta que convenças um pequeno grupo de ovelhas e cordeiros para que se dirijam ao presépio.
– Mas, Senhor, não haverá problemas com o pastor? Não ficará muito triste de perder essas ovelhas?
– Não te preocupes, pois já pensei em tudo. Na verdade, muito em breve devolverei as ovelhas ao pastor. Elas só ficarão uns dias com a Sagrada Família, para oferecerem ao Menino a sua mansidão e o seu calor. E assim atrairei ao presépio o pastor, que sairá à procura das suas ovelhas, de maneira que também ele possa conhecer o Messias prometido.
Depois de ouvir a explicação, Fanuel saiu como um raio em direção a um pequeno grupo de ovelhas que estava perto da gruta de Belém. Apareceu com um grande clarão e disse às ovelhas:
– Não tenham medo, mansas ovelhinhas, pois lhes trago boas novas: Deus escolheu-as para o seu presépio, para que vocês vejam o Salvador que vai nascer amanhã na gruta de Belém.
Mas todas as ovelhas responderam a uma só voz:
– Tem certeza? A nós?!
E todas olharam para a ovelha mais velha, escolhendo-a como porta-voz. Fanuel perguntou-lhe:
– Qual é o seu nome, ovelha-líder?




– Meu nome é Alba, mas as outras me chamam de Dona Branca, pela minha idade. Fanuel, você tem certeza de que Deus nos escolheu? Não passamos de umas pobres ovelhinhas muito comuns!
– Alba, como não temos muito tempo, vou dar-lhe um só argumento: vocês são os animais prediletos de Deus, tanto assim que o Emanuel, Deus-conosco, quis ser representado por um Cordeiro.
Todas as ovelhas, impressionadíssimas, exclamaram a uma só voz:
– Oh!!
– Não conhecem as profecias?
– Fanuel, ninguém nos contou. Você se importaria de no-las contar?
– Jesus foi descrito pelo Profeta Isaías, no momento da sua morte, como um cordeiro: “O castigo pelas nossas faltas, que devia cair sobre nós, caiu sobre Ele. Maltratado, não abriu a boca, como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador”.
– Fanuel, que passagem bela e poética! Mas que significa realmente?
– Jesus, que nascerá amanhã, vem à terra para padecer. Ele é o verdadeiro Cordeiro do sacrifício que tirará os pecados do mundo, pois derramará o seu sangue até a morte pelos homens, pela purificação dos seus pecados e faltas. Ele, que nunca cometeu pecado, morrerá pelos pecados dos homens.
Quando Fanuel olhou, todas as ovelhas estavam chorando com a sua explicação.
– Não fiquem assim. Logo depois Ele ressuscitará e irá para o céu, onde ficará como Cordeiro Imolado, mas vivo.
– Pode deixar, nós iremos para onde você disser. Mas será que não podemos morrer no lugar do Cordeiro Imolado?
– Não, isso não será possível porque só Ele pode resgatar os homens dos seus pecados.
– Fanuel, não se esqueça de que dizem de nós que temos personalidade fraca, e acrescentam em tom de pena: “Coitada, não passa de uma ovelhinha!”
– Alba, sei muito bem que esse é um preconceito comum, mas é inaceitável: as ovelhas não são seres sem personalidade! Ser manso exige uma personalidade marcante! Só quem é forte por dentro consegue não dar rédeas soltas aos seus sentimentos, dominar as suas primeiras reações de indignação, conter os acessos de ira, não ter manifestações temperamentais desmedidas e manter a serenidade e a paz interior em qualquer situação, mesmo nas mais difíceis e cheias de conflitos. E sabe fazê-lo porque tem um grande domínio de si mesmo: dos seus sentimentos, das suas palavras e das suas reações. São fracos, sim, os que explodem com qualquer coisinha, os que perdem a serenidade diante da menor contrariedade.
Quando o Cordeiro que tirará o pecado do mundo percorrer estas terras, mostrará que ser manso é também ter zelo pelas coisas de Deus, a ponto de expulsar da sua casa os que dela fazem uma feira-livre, de corrigir com energia as pessoas que erram, mas sem humilhá-las nem machucá-las, e de gastar-se e desgastar-se a serviço dos outros. Assim, mudará a imagem que as pessoas têm dos cordeiros e das ovelhas. Por isso, Alba, tenho a certeza de que, se alguma coisa não estiver bem no presépio, vocês serão as primeiras a tomar alguma iniciativa para resolver o problema.
Alba e as suas companheiras dirigiram-se todas alegres para o presépio. Como a gruta era pequena e já estavam lá uma vaca e um burro, só a Alba entrou, depois de combinar com as outras que, no momento certo, as chamaria para que, uma após a outra, também pudessem ver o Menino Jesus. Alba entrou de mansinho e pôs-se atrás do burro e da vaca. Quando Maria e José se deram conta da sua presença, não acharam mal e deixaram-na no seu cantinho.