terça-feira, 8 de novembro de 2011

3.2 - A convocação das ovelhas

A convocação das ovelhas e cordeiros
Chegada já a véspera do Natal, Deus chamou o anjo Fanuel para que cumprisse a terceira parte da sua missão.
– Fanuel, Eu gostaria de dar uns cordeiros e umas ovelhas ao meu Filho, que vai nascer amanhã, como presente de Natal. Deves, portanto, convocar as ovelhas e os carneiros para o Natal. Desta vez, não precisas convencer o pastor que as vigia: basta que convenças um pequeno grupo de ovelhas e cordeiros para que se dirijam ao presépio.
– Mas, Senhor, não haverá problemas com o pastor? Não ficará muito triste de perder essas ovelhas?
– Não te preocupes, pois já pensei em tudo. Na verdade, muito em breve devolverei as ovelhas ao pastor. Elas só ficarão uns dias com a Sagrada Família, para oferecerem ao Menino a sua mansidão e o seu calor. E assim atrairei ao presépio o pastor, que sairá à procura das suas ovelhas, de maneira que também ele possa conhecer o Messias prometido.
Depois de ouvir a explicação, Fanuel saiu como um raio em direção a um pequeno grupo de ovelhas que estava perto da gruta de Belém. Apareceu com um grande clarão e disse às ovelhas:
– Não tenham medo, mansas ovelhinhas, pois lhes trago boas novas: Deus escolheu-as para o seu presépio, para que vocês vejam o Salvador que vai nascer amanhã na gruta de Belém.
Mas todas as ovelhas responderam a uma só voz:
– Tem certeza? A nós?!
E todas olharam para a ovelha mais velha, escolhendo-a como porta-voz. Fanuel perguntou-lhe:
– Qual é o seu nome, ovelha-líder?




– Meu nome é Alba, mas as outras me chamam de Dona Branca, pela minha idade. Fanuel, você tem certeza de que Deus nos escolheu? Não passamos de umas pobres ovelhinhas muito comuns!
– Alba, como não temos muito tempo, vou dar-lhe um só argumento: vocês são os animais prediletos de Deus, tanto assim que o Emanuel, Deus-conosco, quis ser representado por um Cordeiro.
Todas as ovelhas, impressionadíssimas, exclamaram a uma só voz:
– Oh!!
– Não conhecem as profecias?
– Fanuel, ninguém nos contou. Você se importaria de no-las contar?
– Jesus foi descrito pelo Profeta Isaías, no momento da sua morte, como um cordeiro: “O castigo pelas nossas faltas, que devia cair sobre nós, caiu sobre Ele. Maltratado, não abriu a boca, como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador”.
– Fanuel, que passagem bela e poética! Mas que significa realmente?
– Jesus, que nascerá amanhã, vem à terra para padecer. Ele é o verdadeiro Cordeiro do sacrifício que tirará os pecados do mundo, pois derramará o seu sangue até a morte pelos homens, pela purificação dos seus pecados e faltas. Ele, que nunca cometeu pecado, morrerá pelos pecados dos homens.
Quando Fanuel olhou, todas as ovelhas estavam chorando com a sua explicação.
– Não fiquem assim. Logo depois Ele ressuscitará e irá para o céu, onde ficará como Cordeiro Imolado, mas vivo.
– Pode deixar, nós iremos para onde você disser. Mas será que não podemos morrer no lugar do Cordeiro Imolado?
– Não, isso não será possível porque só Ele pode resgatar os homens dos seus pecados.
– Fanuel, não se esqueça de que dizem de nós que temos personalidade fraca, e acrescentam em tom de pena: “Coitada, não passa de uma ovelhinha!”
– Alba, sei muito bem que esse é um preconceito comum, mas é inaceitável: as ovelhas não são seres sem personalidade! Ser manso exige uma personalidade marcante! Só quem é forte por dentro consegue não dar rédeas soltas aos seus sentimentos, dominar as suas primeiras reações de indignação, conter os acessos de ira, não ter manifestações temperamentais desmedidas e manter a serenidade e a paz interior em qualquer situação, mesmo nas mais difíceis e cheias de conflitos. E sabe fazê-lo porque tem um grande domínio de si mesmo: dos seus sentimentos, das suas palavras e das suas reações. São fracos, sim, os que explodem com qualquer coisinha, os que perdem a serenidade diante da menor contrariedade.
Quando o Cordeiro que tirará o pecado do mundo percorrer estas terras, mostrará que ser manso é também ter zelo pelas coisas de Deus, a ponto de expulsar da sua casa os que dela fazem uma feira-livre, de corrigir com energia as pessoas que erram, mas sem humilhá-las nem machucá-las, e de gastar-se e desgastar-se a serviço dos outros. Assim, mudará a imagem que as pessoas têm dos cordeiros e das ovelhas. Por isso, Alba, tenho a certeza de que, se alguma coisa não estiver bem no presépio, vocês serão as primeiras a tomar alguma iniciativa para resolver o problema.
Alba e as suas companheiras dirigiram-se todas alegres para o presépio. Como a gruta era pequena e já estavam lá uma vaca e um burro, só a Alba entrou, depois de combinar com as outras que, no momento certo, as chamaria para que, uma após a outra, também pudessem ver o Menino Jesus. Alba entrou de mansinho e pôs-se atrás do burro e da vaca. Quando Maria e José se deram conta da sua presença, não acharam mal e deixaram-na no seu cantinho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

4.1 - O Natal no presépio

O casal de pombos
– Vó Zuza, posso fazer uma pergunta sobre outro animal do presépio?
– Claro, Miro! Mas sobre que animal você quer saber?
– Sobre os pombinhos.
Mas já não há nenhum pombinho no presépio de Deus!
– No da senhora, há. Olhe, ali tem um casal de pombinhos. Não é à toa, né, vó?!
– Miro, você promete não contar a ninguém?
– Prometo.
– Pois não é à toa, não. A pomba é figura das pessoas simples, dos pequeninos, que têm a alegria de entender as revelações de Deus. E, além disso, o próprio Espírito Santo escolheu uma pomba para o representar. Por tudo isto, eu gostaria de ser uma pombinha de Deus. E sem a companhia do seu avô eu não fico.




NATAL NO PRESÉPIO
Estando eles ali na gruta, completaram-se os dias para o nascimento do Menino Jesus. E Maria deu à luz o seu filho primogênito e, envolvendo-o em panos, reclinou-o na manjedoura.
– Assim foi o nascimento de Jesus.
– Mas, vó Zuza, a senhora deteve-se tanto nos preparativos e depois só diz isto sobre o momento mais importante!
– Miro, quanto ao Natal, só Nossa Senhora poderá explicar exatamente o que aconteceu. Portanto, só no céu saberemos de tudo tintim por tintim. Eu só posso contar o que está no Evangelho.
– Mas a maior parte das coisas que a senhora me contou até agora não está na Bíblia! Tem certeza de que não poderia contar um pouco mais do Natal?
– Eu, como você, também queria saber mais sobre o Natal, e sempre pensava nisso nas minhas orações diante do presépio. Até que um dia soltei a imaginação e sonhei acordada com o dia de Natal...
– Vó Zuza, conte-me então como a senhora imaginou o Natal.
– Ora, você sabe como a minha imaginação é fértil.
– Não tinha reparado, vó!
– Miro, deixe de ironias, senão não lhe conto o resto.
– Por favor, era só uma brincadeirinha!...
– Você sabe que os sonhos nem sempre são de confiança. Portanto, se contar o meu sonho a alguém, eu desminto tudo.
– Vó Zuza, sei que somente os sonhos de Deus são realidade; os nossos, não.
– Está bem. Se é assim, posso contar-lhe o que se passou. No sonho, fui parar em Belém.
– A senhora foi a Belém?!
– Uai! Você não sabe que para a imaginação não há limites nem de tempo nem de lugar?
No começo, pensei que Deus queria que eu estivesse ali pela minha vasta experiência: já tinha tido os meus treze partos, e havia-me tornado a parteira mais conhecida da cidade. Mas depois descobri que não era nada disso. Ele apenas queria que eu ajudasse Maria nos primeiros cuidados com a criança, como ajudei todas as minhas filhas e noras.
Apresentei-me à Sagrada família como a parteira de Belém, que vinha ajudar Maria no que fosse preciso. José gostou muito da minha presença e ficou um pouco mais tranqüilo ao saber da minha longa experiência.
Quando chegou a hora, Maria avisou-me:
– Acho que Jesus vai nascer.
– Tem certeza?
– Tudo indica. Olhe ao seu redor.
Algo surpreendente tinha acontecido: José, que estava lá fora juntando lenha para a fogueira, estava parado, agachado para pegar um galho caído no chão. O burro, a vaca e a ovelha estavam também imóveis, como se brincassem de estátuas vivas. Eu disse a Maria:
– Acho que o tempo parou.
E Ela respondeu-me:
– Sim, a eternidade de Deus está entrando agora no nosso mundo!
Corri para o lado dEla e pude observar tudo. Jesus começava a nascer, mas não como os outros bebês. Como se estivesse no estado glorioso, atravessou milagrosamente o corpo de Maria, como atravessaria mais tarde as paredes, depois de ressuscitado. Parecia que o seu corpo estava composto apenas de luz. E desprendeu-se da sua Mãe como uma fruta madura se solta da árvore que a nutriu.
– Vó Zuza, então quer dizer que o Menino Jesus nasceu glorioso?
– Miro, não disse isso. Disse apenas que nasceu milagrosamente. Mas eu podia segurá-lo. E tive a honra – lembre-se de que era um sonho! – de ser a primeira pessoa a tomá-lo no colo. Era a Criança mais bonita que já vi. Transmitia uma paz e uma alegria que não sou capaz de descrever.
– O Menino Jesus era diferente de nós?
– Não, Miro, aparentemente não tinha nada de diferente, era igualzinho a nós! Posso afirmar que o seu corpo era exatamente como o corpo dos meus sete filhos homens, quando nasceram. Só que era mais perfeitinho da cabeça aos pés!
Logo em seguida, passei o Menino a Maria.




Nesse instante, olhei para os animais do presépio e eles continuavam imóveis, sem reação. Foi então que tive uma visão surpreendente. Ao olhar para o burrinho, vi milhares ou talvez milhões de pessoas que se identificarão com o burrinho, com uma vida de serviço a Deus e aos outros. Ao olhar para a vaquinha leiteira, vi um mar de pessoas que, com a sua vida, exemplo e ensinamentos, alimentarão inúmeras outras pessoas com a Palavra de Deus. Olhando para a ovelha, vi uma avalanche de pessoas mansas e dispostas a qualquer sacrifício por amor a Deus e aos outros. Compreendi que todas essas pessoas serão as que adorarão Jesus no presépio ao longo de toda a história e até o fim dos tempos.
Voltei-me para Maria com o Menino nos braços e emocionei-me ao observar a forma como Ela tomava, abraçava e olhava o seu Filho Jesus. Percebi que o amava de todo o coração. Via o corpinho do seu bebê e ao mesmo tempo reconhecia nEle a sua divindade, por mais que a sua glória estivesse oculta. Era a primeira vez que Maria via o rostinho de Deus, e adorava-o totalmente extasiada!
Nesse momento, ouvi o choro forte de uma criancinha totalmente saudável. E, ao som do choro de Jesus, o tempo voltou a correr para os outros seres.
José veio correndo, pois lá de fora ouvira o choro de Jesus. 




Maria passou o Menino para os seus braços fortes. Todos estavam emocionados por ver Deus tão pequenino e desvalido. José, que sempre parecera o mais forte de todos, chorava e ria ao mesmo tempo, como uma criança emocionada que recebe o presente que mais esperava na vida! Depois de contemplar o Menino Jesus por algum tempo, devolveu-o a Maria.
Os animais estavam eufóricos. A vaca reclamava com o burro que as suas grandes orelhas não a deixavam ver bem a cena. O burro perguntou-lhe:
– E onde está a ovelha? Aonde ela foi parar?
Alba tinha saído para chamar as outras ovelhas. Fazia tempo que tinha elaborado um plano para que o Menino não fosse posto nas palhas da manjedoura, que podiam pinicá-lo. Mas as ovelhas tinham-se espalhado um pouco, e assim Maria envolveu o Menino em panos e reclinou-o na manjedoura. Mas ele não estava bem ali, tanto que voltou a chorar.
De repente, várias ovelhas saltaram a cerca lateral do presépio e alinharam-se ao lado da manjedoura, formando com os seus corpos um berço quentinho e acolchoado. José e Maria olharam um para o outro, aprovando a iniciativa das ovelhas. Nossa Senhora pôs o Menino no berço-de-ovelhas, e logo Ele parou de chorar.




As ovelhas, além de servirem de berço para o Menino Deus, deram também a sua lã para que Maria pudesse tricotar roupas bem quentinhas para Jesus. A vaca e o burro funcionaram muito bem como grandes radiadores no presépio, elevando a temperatura do ambiente. A vaca forneceu leite abundante para a Sagrada Família, que depois serviu de matéria prima para os saborosos queijos e doces-de-leite que eu ajudei a fazer na casa da vizinha. E o burro serviu não só no caminho para Belém, como também em todas as demais viagens da Sagrada Família.
Naquela noite, todos os anjos foram visitar o presépio de Deus, embora não se tenham manifestado de forma corpórea para não assustar o Menino com tanta gente desconhecida de uma só vez. Ao voltarem para o céu, todos felicitavam Fanuel pelo seu excelente trabalho.
– Vó Zuza, acho que agora compreendi bem a missão dos animais e também a sua missão no presépio. Que bela história a senhora me contou! 

4.2 - Os animais no Céu

OS ANIMAIS NO CÉU
– Ah, mas a história ainda não terminou. Falta dizer algo importante sobre os animais do presépio.
– Então continue, vó Zuza, pois quero saber tudo.
Nesse momento, porém, a minha mãe passou por ali dizendo:
– Valdo, pegue as suas coisas, que já está na hora de irmos embora. Precisamos também passar pela casa da sua avó Aline.
– Mas, mãe, a vó Zuza ainda não terminou a história dos animais do presépio!
A vó Zuza interveio:
– Miro, é melhor você fazer o que a sua mãe lhe diz. Já estamos há mais de uma hora conversando, e você precisa também ver a sua outra avó neste dia de Natal. Não há problema, no ano que vem eu termino a história.
– Não sei se agüento a curiosidade até lá!
– Então faça o seguinte: pegue a Bíblia e leia o livro do Apocalipse, pois tudo o que eu ia lhe contar está lá.
 – Está bem. Mas se eu não entender bem alguma coisa, a senhora explica-me depois.
Naquela mesma noite, cheguei em casa e fui ler o livro do Apocalipse. Para dizer a verdade, não entendi muita coisa, mas fiquei tão impressionado com tudo o que li que acabei tendo um sonho incrível naquela noite. Nesse sonho, fui ainda mais longe que a vó Zuza: fui ao céu!
Quem me recebeu lá foi um anjo que se apresentou assim:
– Muito prazer. O meu nome é Fanuel.
Eu, surpreso, respondi:
– Eu me chamo Miro e já conheço você de longa data.
– Não acredito!
– O seu nome não significa “Aquele que vê a Deus face a face”?
– Como sabe? De onde me conhece?
– Uma pessoa querida contou-me muitas coisas sobre você!
– E como se chama essa pessoa?
Fiquei sem jeito de dizer que se chamava Zuza e disse o seu verdadeiro nome:
– Maria de Jesus.
O anjo ficou tão contente ao ouvir isso que deu uma pirueta no ar! A sua reação pareceu-me desproporcionada, mas logo me dei conta de que ele tinha confundido Maria de Jesus, a Zuza, com a própria Virgem Maria! Mas fiquei sem jeito de esclarecer a confusão e deixei passar. Não sei se foi por causa dessa confusão, mas o fato é que Fanuel me tratou especialmente bem. Foi-me guiando e explicando tudo no céu.
Aproveitei a sua boa vontade para perguntar-lhe algo que me intrigava:
– Fanuel, eu li o Apocalipse, e ali se diz que no céu há animais; aqui, porém, não vejo nenhum: só anjos e pessoas humanas. Onde estão os animais?
O anjo respondeu-me:
– Pelo que sei, pelo menos até o fim dos tempos, quando houver um novo céu e uma nova terra, propriamente não haverá animais no céu. Mas as suas figuras já estão presentes aqui.
– Como assim? Não estou entendendo!
– Repare bem. Se você fixar o olhar em algum dos santos, verá a figura do animal com que esse santo mais se identificou. Experimente, por exemplo, com São João Evangelista, que está logo ali à sua frente.
Depois de olhar para São João por alguns momentos, de fato passei a ver uma grande águia, forte e belíssima. Fanuel explicou-me:




– A águia é figura dos místicos, que voaram alto na contemplação de Deus quando ainda estavam na terra.
– Que outros santos são águias?
– Só citarei alguns: Agostinho, Bento, João da Cruz... E agora olhe para Lucas. Que animal você vê?
– Vejo um touro fortíssimo. Fanuel, nem precisa explicar-me essa figura, pois eu já conheço bem o que ela representa. Mas posso ver o próprio Jesus Cristo?
– Claro que sim. Todos os que estão no céu têm esse direito, mesmo que estejam apenas em sonhos.
Olhei fixamente para Jesus, e vi um lindo cordeiro, todo branco, sem mancha alguma. Percebi que do seu corpo irradiava a luz que iluminava a todos os anjos e santos no céu, e que a luz dos santos não passava de um reflexo da sua luz, assim como a luz da lua é um reflexo da luz do sol. Disse a Fanuel:
– Eu já sabia que Jesus só podia ser o Cordeiro!
– E você não quer olhar para Maria, Miro?
– Claro, Fanuel!
Olhei para Maria, que estava do lado direito de Jesus, e Ela tornou-se aos meus olhos uma linda ovelhinha, muito parecida com o Cordeiro, toda branca também. De todas as ovelhas e carneiros do céu, só Jesus e Maria eram assim: sem nenhuma mancha no corpo. Mas, intrigado, perguntei a Fanuel:
– Que Nossa Senhora é mansa e doce, isso eu já sabia. Mas pensava que ovelhas fossem principalmente as pessoas que morreram mártires.
– Você tem razão. Só que Maria, por ter acompanhado Jesus na sua paixão, sofreu tanto que bem se pode dizer que foi mártir, embora não tenha morrido.
Olhei para o outro lado de Jesus e vi São José, que me apareceu como um burrinho encantador. Que brilho se refletia em todo o seu corpo!
De repente, vi um espetáculo maravilhoso: uma revoada de centenas de pombas.




– E essas pombas, Fanuel, quem são?
– São as pessoas que se destacaram por conservarem a alma pura e inocente, sobretudo por viverem a castidade. São principalmente as pessoas virgens.
– Xi, acho que a minha avó Zuza escolheu o animal errado para si! Afinal, teve treze filhos!
– Não, Miro: com esse número de filhos, a sua avó certamente será também uma pombinha no céu. Entre as pombas, há muitas pessoas casadas que se destacaram pela castidade no casamento e pela generosidade com relação aos filhos.
Voltei-me para o lado e vi um santo que não conhecia. Olhando fixamente para ele, vi um burrinho com uma imensa estrela na testa, semelhante a tantos outros burrinhos do céu, mas que tinha algo de diferente. Todo o seu corpo estava repleto de incontáveis estrelas de diverso tamanho e intensidade.
Perguntei “baixinho” a Fanuel:
– E quem é esse santo?
– Por que você não lhe pergunta pessoalmente?
– Bom dia, sou Valdomiro, mas pode chamar-me de Valdo ou Miro. E o senhor, como se chama?
– Todos no céu me conhecem como burrico sarnento!
Fanuel, que não gostou daquela apresentação, interveio. E disse ao santo:
– Josemaria, quantas vezes terei de dizer que as manchas que você traz na pele não são sarna, mas as estrelas das vocações das suas filhas e dos seus filhos, gente humilde que, no meio do seu trabalho diário, nunca tinha pensado que Deus quisesse servir-se deles e delas para nascer no coração do mundo. Como eles são fruto da sua oração e mortificação, Deus quis imprimir essas estrelas na sua pele, como uma condecoração!




Fiquei muito impressionado, e desejei um dia ter o meu corpo coberto de estrelas como o dele.
Nesse momento, acordei do sonho, desejando encontrar-me logo com a vó Zuza para ver se o final da história dos animais no presépio era mesmo aquele. Mas a vida, infelizmente, levou-me para longe da minha avó Zuza, e nunca mais pude passar um Natal com ela.

Se hoje você lê o “causo” dos animais do presépio, saiba que o narro por dois motivos. Primeiro, porque a vó Zuza voou para o céu este ano, e eu me sinto na obrigação de transmitir a herança que ela me deixou ao resto da família, que está espalhada por esse mundo de Deus. E principalmente porque, no dia da sua morte, para minha surpresa, pousou na janela do meu quarto um pombo-correio que trazia na pata uma mensagem! Desenrolei o papelzinho e li: “Se você quer vir para o céu, saiba que ainda faltam canarinhos-da-terra por aqui. Os canários-da-terra são as pessoas que vão pelo mundo cantando as maravilhas do presépio de Deus”.




Quando olhei de novo para o pombo-correio, ele já tinha voado para o céu.
A você, que acaba de desvendar com a vó Zuza muitos dos segredos do presépio, faço um convite: não tenha receio de ser um burrinho, uma vaquinha ou uma ovelha no presépio, pois assim poderá sê-lo no céu. Caso não se anime a ser nenhum dos animais anteriores, pelo menos cante comigo na terra as maravilhas do presépio de Deus, já que ainda faltam muitos canários-da-terra no céu!


domingo, 31 de julho de 2011

Traducción del cuento "Os animais do presépio"

 Ana Maria Morandi de Haro



1.1- Los cuentos de la abuela Zuza



EL CUENTO DE LOS ANIMALES DEL PESEBRE

Me llamo Valdomiro. En mi país es muy común que los nombres coincidan con los de los padres o abuelos, o que sea una combinación con partes de los nombres de parientes cercanos. En mi caso, es la unión de la parte final del nombre de mi abuelo materno, Os-valdo, con mi abuelo paterno, Arge-miro. Pero nadie me llama por mi nombre, en la familia materna, soy Valdo, en la paterna, Miro. Y con el tiempo me he acostumbrado a ser llamado de ambos formas.

Hoy  me han venido a la memoria algunos buenos recuerdos de las quince Navidades que pasé en Pouso Alto. A cada Navidad se la esperaba con impaciencia. Era el tiempo de rever a mis más de cincuenta primos que venían de todas partes de Brasil para celebrar el cumpleaños de nuestra abuela, la abuela Zuza.

 No piensen que nuestra abuela se llamaba Zuza. Su nombre era muy bonito: por haber nacido el día de Navidad, mis bisabuelos le dieron el nombre de María de Jesús. Pero con el tiempo, su nombre se fue transformado: María de Jesús pasó a ser apenas "de Jesús", Jesusinha, Zuzinha ... para convertirse en simplemente Zuza.

La abuela Zuza tenía muchas cualidades, entre ellas la paciencia - tan necesaria para educar a sus trece hijos, y la dulzura de carácter y de cocina. Me explico: hacía unos dulces de calabaza con coco como nunca comí otros iguales, sus tortas de naranja y su dulce de guayaba casero también eran inmejorables, las galletas de crema eran "del otro mundo" ... Pero la cualidad que más me impresionaba era la de ser una excelente contadora  de "causos", como dicen en Minas Gerais, quizás la mejor entre todos los contadores de la ciudad de Pouso Alto.




Entre las Navidades que pasé con la abuela Zuza, hubo una muy importante porque ella me contó la historia más maravillosa que he escuchado en mi vida: la de los animales del pesebre,  que me reveló algunos de sus principales secretos.

 El Pesebre había  sido arreglado en la amplia sala. Se componía, además de las de la Sagrada Familia, de trece figuras humanas que había ido comprando poco a poco: con cada hijo que nacía, la abuela de Zuza adquiría una imagen que representaba al nuevo miembro de la familia. Cuando le preguntábamos dónde estaban ella y el abuelo, señalaba sin decir una palabra pero con cara de traviesa,  un par de palomas que había colocado en la ventana de la casita del Presepio. Nosotros simplemente nos echábamos a reír.

 También estaban allí las tradicionales figuras de animales: un burro, una vaquita lechera y algunas ovejitas.

En ese entonces tenía yo unos quince años, estaba mirando el Pesebre cuando, sin darme cuenta, la abuela Zuza se me acercó y me preguntó en voz baja:

 - Miro, ¿en qué estás pensando?

 - Abuela Zuza, estaba pensando, ¿por qué has puesto un burro, una vaca y algunas ovejitas en la casita, tan cerca de Jesús, María y José? ¡Estos animales están más cerca del Niño Jesús que los hombres!

 Ella empezó diciendo, con la forma con que siempre empezaba sus "causos":

 - Esta es una larga historia, pero si tienes tiempo, te la puedo contar ...

 Siempre teníamos tiempo para escuchar sus historias increíbles. Sin embargo, para oírlas, teníamos que "jugar el juego": actuar como si creyéramos en todo lo que contaba y aceptar ser tratados como niños, a veces, ya que para la abuela Zuza, con sus setenta años, no pasábamos de esto. Si empezábamos a dudar de lo que decía, la historia no llegaba al final: la abuela  la interrumpía amablemente con alguna excusa. Yo, en plena adolescencia, tenía que hacer un gran esfuerzo para no llevarle “la contra” y aceptar ser tratado como un niño. Pero valía la pena ya que me gustaban mucho sus historias. A su vez, a la abuela le gustaba nuestra participación y que hiciéramos preguntas inteligentes que exigiesen respuestas rápidas y creativas.

- Todo comenzó con la creación del mundo, dijo ya empezando en serio el "Causo".

 En ese momento, pensé: "іUyyy... Esta vez la historia va a llegar lejos!..."

sábado, 30 de julho de 2011

1.2 - La creación del burro



LA CREACIÓN DE LOS ANIMALES DEL PESEBRE

En el sexto día de la creación Dios creó los animales terrestres.

 En días anteriores, ya había creado los cielos con sus astros: el sol, la tierra y la luna y, con ellos, el día y la noche, también había creado la tierra firme y el mar. Había llenado la tierra de hermosas plantas, árboles de frutos sabrosos y flores exuberantes; y los ríos y el mar de peces de todos los colores y tamaños y todo tipo de plantas y animales marinos.

 En la mañana del sexto día Dios dijo: "Vuelen las aves sobre la tierra, en el cielo. Y la tierra se llene de seres vivos: animales domésticos, reptiles y animales salvajes". Así creó la mayoría de los animales.

 Pero Dios pensó: "Todavía faltan los animales principales, los que tendrán una misión especial que cumplir en mi Pesebre. Faltan todavía el burro, la vaca, el cordero y el hombre”.
  
La creación del burro

 Y tomando un poco de barro marrón oscuro, Dios le dio forma al burro, que mantuvo en la piel el color del barro con el que fue moldeado .

 Y Dios dejó al burro secándose. Cuando se había escurrido la mayor parte del agua, el barro alcanzó consistencia y el burro se convirtió en un ser vivo.




 Y Dios le dijo:

 - Tú, burro, serás un ser que no se pertenece a sí mismo, que no trabaja para su propio beneficio sino para beneficio de los demás y especialmente a mi servicio. Tu alegría y felicidad estarán en el servir.

 Vas a ser un animal de carga: llevarás en el lomo desde las cargas más simples, tales como haces de leña o bolsas de cereales y granos hasta piedras preciosas. Pero no le harás caso a la calidad de la carga: has de poner el mismo esfuerzo y diligencia en llevar con cuidado cualquier peso que puedan poner en tus espaldas. Por eso serás el gozo y el descanso de tu amo.




Tendrás las orejas grandes para escuchar la voz de tu amo, que te guiará en cada paso de tu camino.

 En muchos lugares de sequía o de pocos ríos, serás atado a una noria y con la fuerza de tu trabajo, dando vueltas y haciéndola girar, bombearás el agua del pozo para plantaciones, huertos, jardines y depósitos de agua. Gracias a tu trabajo, habrá abundante vegetación en los bosques, verduras en los huertos, flores de variados colores en los jardines, frutas dulces y sabrosas en las ramas de los árboles y aguas cristalinas para saciar la sed de otros animales.

No te olvides de esto, porque cuando estés girando la noria no vas a ver los frutos de tu trabajo. Trabajarás todos los días de tu vida con la misma presión del arnés, recorrerás el mismo camino circular, día tras día, semana tras semana, año tras año. Pero, nunca dejes de oír la canción del agua, que riega las plantas y sacia la sed de los animales.

- Abuelita Zuza, puedo interrumpir?

- Claro.

- Sabes que yo nunca he visto una noria? Por supuesto que entendí que se trata de una bomba que está impulsada por la fuerza del burro, como algunos molinos son impulsados ​​por la fuerza del agua. Pero ¿de dónde sacaste esa idea de noria?

- Miro, no fui yo quien sacó la idea de algún lugar. Fue Dios quien le habló de ella al burro que acababa de crear. A decir verdad, tampoco yo nunca he visto ninguna. Mi abuela, que vino de Portugal, fue la que me contaba las historias del burro de noria. Pero no sé si ella vió o no una noria, o si alguien le habló de ella. Eso nunca le pregunté. De todos modos, Dios, al crear el burro, no pensó sólo en los burros de nuestra tierra, que no impulsan noria alguna, sino en los burros en todo el mundo.

- Discúlpame haberte interrumpido.

Dios continuó diciéndole al burro:

- No te quedarás sin premio. Si algún día al volver al establo para recibir la ración por tu trabajo y su amo, por ingratitud, se olvida de ti, estate seguro de que yo nunca me voy a olvidar. Enviaré al establo uno de mis ángeles con un puñado de terrones de azúcar para retribuirte todo lo que has hecho por mí.

El burro no había comenzado siquiera a moverse y ya se sentía muy bien pago. Pero Dios continuó hablándole:

- También debo profetizar que servirás como montura a las personas más importantes en el mundo. Y lo más esencial de todos, lo que da pleno sentido a tu vida: un día, uno de tus descendientes estará en el Pesebre de Belén.

 - Abuela Zuza, será que Dios habló con el burro como si se tratara de un ser inteligente que pudiese entender?

- ¡Los nietos de hoy ya no son como los de antes! Miro, es claro que si Dios le habló al burro, es porque le dio la capacidad de entender, de lo contrario ¡no hablaría!

 - Ese burro parece más gente que mucha gente, porque escucha y entiende a Dios.

 - Eso es cierto. Pero, nieto mío, permíteme explicarte bien las cosas para que no las confundas. Burro es burro, gente es gente, pero Dios ha querido que el burro fuese una figura de gente.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

1.3 - La figura del burro de presebre



- ¡Francamente, no entendí! Por supuesto que el burro es una figura del pesebre, pero que sea figura de gente, ¡es difícil de entender!

- Pues es uno de los secretos del Pesebre. Cariño, tú me preguntaste por qué las figuras del burro, el buey y las ovejas estaban más cerca de la Sagrada Familia que las de los hombres. Entre otras razones, porque representan personas, pero no cualquier persona, sino aquellas que tienen las cualidades que vemos retratadas en los animales del Pesebre. Nunca leíste en los Salmos: "Dios salvará a los hombres y a los burros"? Eso significa que se van al cielo las personas que se han identificado con el burro.




- Abuela Zuza, ¿cuáles son las cualidades del burro que vivían estas personas?

- Miro, ¡eso no se pregunta! Surge de la propia historia de la creación de este animal!

Los burros representan a todas aquellas personas que tienen una profunda sabiduría. Ellas saben y comprueban que sólo encontramos alegría y felicidad cuando vivimos para servir a las personas que Dios ha puesto a nuestro lado. Son figuras de gente de alma más delicada y fina, que consideran un privilegio servir a Dios y a los demás. Son burritos de Dios tantos padres y madres que viven pendientes de sus hijos, tratando de darles toda la atención, alimentándolos y cuidando de cada uno de ellos. El burrito también representa a los niños que prestan ayuda en el hogar y no se quejan de las pequeñas tareas que les son encomendadas, para convertirlas en expresiones de amor y gratitud a sus padres. Son burritos de Dios, que están muy cerca del Niño Jesús, aquellos que siempre están listos para hacer pequeños servicios domésticos: cambiar una bombilla que se quemó, ir a abrir la puerta al escuchar el timbre, limpiar las manchas de café o refresco que alguien derramó, regar una planta que se está secando ... Y, principalmente, todo esto en secreto, sin llamar la atención sobre sí mismos.

- Esto no es una indirecta para mí, ¿verdad?

- Por supuesto que no! Tú sabes que yo siempre he sido muy franca y directa.

Pero seguimos: la imagen del burrito del Pesebre también simboliza a los verdaderos amigos que saben valorar a los demás preparándoles un regalo personalizado para su cumpleaños, que se acuerdan de guardar el artículo de una revista o un periódico porque le interesa a aquel compañero,  que se ponen a disposición para acompañar a un amigo en un plan que quiere hacer ...

- ¡Cuán mejor sería el mundo si hubiera más burritos de Dios esparcidos en todas partes!

- No hay duda! Pero comencemos a mejorar el mundo siendo nosotros mismos burritos de Dios.

- ¿Y la parte que cuenta la historia del burrito de noria? No haS dicho nada todavía!

- ¡Veo que estás interesado con la historia de la creación de los animales! ¡Bien! Pero por supuesto que no se me iban a escapar el burrito de noria ni el burrito de carga.

- ¡Se me estaba olvidando que Dios creó al burro como animal de carga!

- Miro, el burrito de carga es la figura de todas las personas que ponen el hombro, que no huyen de la carga que Dios les confía. A estas personas no les importa la calidad que otros atribuyen a la carga que llevan, porque saben que lo que importa en la vida es llevar la carga que Dios puso sobre sus hombros, sea lo que sea. Para Dios, el valor de la carga no depende tanto del precio que los hombres pagan por ella, sino del amor con que el burrito la lleva.




Ahora, el burrito de noria es la figura de todas las personas que realizan un trabajo repetitivo, que incluso podría llegar a ser monótono ya que es siempre el mismo. Pero no es así porque esta gente sabe cómo renovar su amor todos los días. Cuando el amor se renueva, no existe rutina ni falta de motivación y se evita el cansancio espiritual, aunque puede haber cansancio físico. Los trabajos repetitivos se convierten en pequeños rituales de amor en los que se trata de hacer todo cada vez con más cuidado y perfección. Y donde habría tierra seca si no fuera por el burrito de noria, ahora hay un lugar agradable para descansar y relajarse, un oasis de felicidad.

- Abuela Zuza, ahora entiendo por qué quiso poner la figura del burrito tan cerca de la Sagrada Familia. Yo haría lo mismo si hubiera sabido todo esto.