quinta-feira, 10 de novembro de 2011

1.6 - O burro Luzeiro a caminho de Belém

Então o anjo Fanuel soltou a corda que prendia o burro e foi ao seu lado, indicando-lhe o caminho até a casa de Maria.
Tudo ia muito bem, até que, na metade do caminho, passaram por um lugar belíssimo, como jamais o burro havia visto: era um jardim gramado, com muitas flores, borboletas de todas as cores, muitas árvores que davam excelente sombra, um riacho com uma cachoeira cujo som era muito repousante. O burro pensou: “É aqui mesmo que eu fico!” 
O anjo assustou-se ao ver que o burrinho empacava e não queria dar mais nenhum passo. Mas logo percebeu que aquele lugar não era real, pois tinha passado muitas vezes por ali e não havia nada daquilo antes. Pensou: “Ou se trata de uma miragem, ou é obra do coisa-ruim, que já quer meter o rabo para que o burrinho não chegue ao fim do seu caminho”.
O anjo pôs-se ao lado do burrinho e disse-lhe ao ouvido:
– Não se esqueça de que Deus precisa de você e está à sua espera.



O burro, que é esperto e sabe que a felicidade não está em curtir a vida (embora de vez em quando o esqueça), mas em fazer o bem e em servir os outros e principalmente a Deus, imediatamente caiu em si e voltou a andar leve e faceiro.
Continuando pelo caminho, tiveram que passar pelo meio de uma mata em que o coisa-ruim tinha preparado outra cilada: um lobo, escondido no meio da mata, esperava o burro para pular sobre o seu lombo e liquidá-lo.
Na hora em que o lobo ia saltar, porém, Fanuel intuiu o perigo e gritou ao burro:
– Cuidado, à sua esquerda!
O burro voltou rapidamente os quartos traseiros para a esquerda e deu um coice como jamais havia dado. Pegou em cheio o lobo, que foi parar a vários metros de distância, totalmente desacordado.
– Miro, foi por muito pouco que o burro não se deu mal. A sorte dele foi que Fanuel tinha intuição angélica e teve tempo de avisá-lo. É preciso tomar cuidado nesta vida, pois quando menos se espera o coisa-ruim pode estar à espreita. Como diz o ditado, com a tentação não se brinca. Às vezes, pode vir de forma violenta, mas outras vezes vem sorrateiramente como uma miragem.
Logo chegaram à casa de Maria. Fanuel amarrou o burro na porta, e por indicação dele o jumento soltou um forte zurro.
Ao ouvir o zurro, Maria entendeu imediatamente que Deus tinha escutado a sua oração e correu a abrir a porta. Deu de cara com o burro e ficou tão radiante de alegria que lhe deu um beijo bem no meio da testa. O anjo Fanuel, que observava escondido a cena, reparou que na testa do burro apareceu uma estrela muito brilhante, exatamente no lugar onde Maria o tinha beijado. E avisou disso o burro, que ficou muitíssimo orgulhoso da sua condecoração e pensou de si para si: “Não foi nada esse susto que passei no caminho, comparado ao prêmio que agora estou recebendo. Espero que sempre me venham pelas mãos de Maria umas carícias destas...”
No dia seguinte logo cedo, Maria preparou a bagagem e partiu em direção às montanhas montada no burrinho. Ficou três meses em casa de Isabel, que era idosa, estava grávida e precisava de ajuda. Quando voltou da visita, Nossa Senhora levou o burrinho de presente a José, como seu dote de casamento. José encantou-se com o burrinho desde o primeiro momento em que o viu e deu-lhe o nome de Luzeiro, devido à estrela brilhante que trazia na testa.
A partir de então, Luzeiro passou ser o animal de transporte e de carga da Sagrada Família, viajando com eles para tudo quanto é lado. Sempre que os caminhos se tornavam escuros, a estrela da sua testa brilhava, permitindo que todos vissem a estrada e não se extraviassem.
Quando se convocou o recenseamento, José, Maria e o Luzeiro partiram para Belém. José ia ao lado do Luzeiro, que transportava Maria com o Menino Jesus no seu seio. Partiram para Belém pensando que poderiam voltar rapidamente para que Jesus nascesse em Nazaré. Tinham-se esquecido da profecia que dizia que o Messias nasceria em Belém e não imaginavam que a burocracia e o afluxo de pessoas fossem tão grandes por lá.
José começou a bater nas portas das casas da aldeia pedindo abrigo. Mas todos diziam, talvez pela gravidez avançada de Maria, que não havia lugar para eles nas suas casas.
Luzeiro foi perdendo a paciência e não agüentou ficar calado; depois da quarta tentativa frustrada, disse a José e Maria:
– Se quiserem, posso dar um coice e derrubar as portas das casas, para que eles aprendam a não fechar as portas a Deus.
Maria, depois de se recuperar do susto de ver um burro falar, disse ao Luzeiro, acariciando-o:
– Você não fará nada disso, pois eles não sabem que estão fechando a porta a Deus. Vamos perdoar-lhes. Deus proverá um bom lugar para nos abrigarmos.
Passaram por uma pousada que estava repleta de pessoas, mas José não quis ficar ali porque faltava um mínimo de privacidade. Por fim, bateram à porta de uma casa mais simples do que as anteriores. Os donos abriram-lhes e disseram:
– Infelizmente, esta casa é pequena demais e não há espaço para vocês. Mas, se quiserem, podem ficar em uma gruta aqui perto, que usamos para abrigar os animais em dias de muita chuva. E para lá se foram. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

2.1 - A criação da vaca

A CRIAÇÃO DOS ANIMAIS DO PRESÉPIO
No sexto dia da Criação, Deus criou os animais terrestres.
Deus disse: “Voem as aves sobre a terra, nos céus. E a terra se encha de seres vivos: animais domésticos, répteis e animais selvagens”. E assim foi criada a maioria dos animais.
Mas Deus pensou: “Ainda faltam os principais animais, aqueles que terão uma missão especial a desempenhar no meu presépio. Faltam ainda o burro, a vaca, o cordeiro e o homem”.
A criação da vaca
Para modelar a vaca, Deus tomou areia do mar. Aproveitou cada onda que vinha dar na praia para molhar a areia e ir modelando a sua escultura. Quando a terminou, iluminou-a com uma luz quente e potente. Mal a luz chegou aos olhos da vaca-de-areia, eles se abriram e a vaca tornou-se um ser vivente.
E Deus disse à vaca:
– Tu serás um ser que alimenta, além das suas crias, muitos outros animais. Saciarás a sede deles com o teu leite abundante, fresco e cremoso.



Serás a alegria de Minas Gerais, pois fornecerás a matéria prima para os diversos e saborosos queijos que serão servidos nas suas mesas fartas. Saciarás a fome de muitos com esse alimento saudável e gostoso.
Graças ao teu leite e aos seus derivados, fortalecerás os ossos das pessoas, para que elas tenham uma estrutura sólida e possam agüentar o peso que venha a recair sobre elas.
Muitas vidas serão adoçadas com a delícia do doce-de-leite e com a ambrosia.
Darás a tua carne para que outros seres tenham vida. Ajudarás assim a fomentar a paz e a concórdia em muitas famílias, graças ao teu sacrifício.
Serás um animal forte, capaz de puxar a canga atrelada ao arado. Por ti os campos serão revolvidos e abrirás um sulco profundo para que a semente penetre na terra e dê frutos.
Uma parte dos teus descendentes, os touros, terão uma força descomunal e serão temidos pelos outros animais, embora alguns pretendam disputar em força e habilidade com eles.
Dos teus chifres farão uns instrumentos musicais poderosos, os berrantes, que servirão para conduzir outros animais da tua raça por caminhos seguros.
Mas devo alertar-te para que não caias na tentação da vaidade e do orgulho, pois diversos povos, pelas tuas muitas qualidades, te valorizarão mais do que é devido: pensarão que és um animal sagrado, e alguns chegarão mesmo a fazer imagens de ouro tuas para adorar-te. Mas não te deixes enganar: lembra-te de que as tuas qualidades são dons que recebeste de Mim e recorda sempre que já foste um montão de areia do mar.

2.2 - A figura da vaquinha do presépio

– Vó Zuza, a senhora pode explicar-me de que pessoas a vaca é figura?
– Miro, já lhe tinha dito que assim se perde a graça. Por que você não se arrisca a interpretar a história da Criação?
– É que tenho medo de errar na minha interpretação.
– Não tenha medo. Se você errar, eu o corrijo. Mas não quero dar a explicação de mão beijada.
– Então vou arriscar. A senhora disse que a vaca daria a sua carne como comida e que alimentaria abundantemente outros seres. Penso que essa passagem faz referência à Eucaristia. Pois Jesus deu a sua própria carne para alimento da nossa vida espiritual.




– Você arriscou mesmo e quase acertou! Mas a vaca não é figura de Jesus presente na Eucaristia, e sim o cordeiro. Tudo o que você disse se aplica perfeitamente ao cordeiro. Você nunca reparou no que diz o padre João Romão, na Missa, ao levantar a hóstia consagrada antes da comunhão?
– Acho que me lembro, sim. É verdade! Ele diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
– Então, Miro! Mas vamos deixar o cordeiro de lado, pois agora estamos falando da criação da vaca. Deixe-me explicar-lhe. Há dois alimentos principais para o nosso espírito, a Eucaristia, como você bem disse, e a palavra de Deus. Como diz a Bíblia, nem só de pão se alimenta o homem, mas também de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Saciam a fome e sede de felicidade e de bem dos outros as pessoas que conhecem bem a palavra de Deus, a põem em prática e a ensinam aos outros. Assim fortalecem muitas vidas cristãs, para que se mantenham firmes contra as tentações, contra os maus costumes do ambiente em que vivem.
Conheço muitos sacerdotes que estudam a palavra de Deus e preparam bem as suas homilias de domingo, e assim alimentam as pessoas saciando a sua fome de verdade e de Deus. Alimentam as crianças com o leite espiritual tantas professoras de catecismo, que explicam pacientemente as principais verdades da fé, preparando os seus alunos para a primeira Comunhão e para a vida.
E a palavra de Deus, meditada na leitura do Evangelho, bem “ruminada” no estudo da doutrina da Igreja, torna-se saborosa como o melhor doce-de-leite do mundo, como a mais gostosa ambrosia. Quem a saboreia quer depois dá-la a conhecer, adoçando também a vida das pessoas que se encontram à sua volta.
– Então, vó Zuza, a vaca, com o alimento da sua carne, representa todas as pessoas que ensinam a palavra de Deus na igreja?
– Não só essas pessoas. Representa igualmente aquelas que sabem ensinar a palavra de Deus com a vida. Cristãos que abrem o seu coração com simplicidade aos colegas, e conseguem inflamá-los com o seu amor a Deus e aos outros, com os seus valores e ideais elevados, com o seu desejo de santidade. Eles não se encontram somente nas igrejas, mas em qualquer lugar deste mundo de Deus. O bom exemplo de vida cristã de tantos pais em suas casas e de muitos colegas nas escolas e nos ambientes de trabalho é o arado que remove o coração de muitos, abrindo sulcos profundos, para que depois a palavra de Deus penetre a fundo e não encontre resistências.
– Mas o contrário também é verdade: não adianta apenas falar bonito, pois se a pessoa não vive o que fala, as outras pessoas não a ouvem e, além disso, pensam: quem é esse para me falar disso?
– É verdade. Mas não é preciso sermos perfeitos em um assunto para falar dele; basta que vejam que nos esforçamos por viver aquilo que ensinamos.
– Vó, e o que significa o berrante na história da criação da vaca?




– Significa os bons costumes cristãos adquiridos na infância, como por exemplo oferecer o dia a Deus, abençoar os alimentos, rezar alguma oração em família, montar o presépio na época de Natal... Com o tempo, esses costumes soam alto na memória e no coração das pessoas e as fazem retornar ao caminho seguro. Mais alguma pergunta sobre a criação da vaca?
– Tenho sim: por que Deus quis alertar a vaca sobre o perigo da vaidade?
– Ora, porque a vaidade é o grande perigo, a tentação mais forte das pessoas boas e que sabem muito, e que ensinam aos demais as verdades de Deus. Como muitas vezes ficam em evidência e recebem elogios do povo, podem atribuir a si mesmos o que é resultado principalmente da graça e da palavra de Deus nas suas vidas.
– Deve haver muitas vacas e bois por esse mundo de Deus, não é verdade?
– Muito menos do que você pensa, Miro!
– Mas os pais não se preocupam em ensinar aos filhos as verdades sobre Deus e o mundo? E não ensinam os seus filhos a comportar-se de forma cristã?
– Não pense que todos os pais por aí são como os seus. Sem dúvida que todos os pais querem o bem dos seus filhos, e lhes dizem que devem ser bons, que devem fazer o bem, mas não indicam como podem ser bons, nem o bem que deve ser feito. Às vezes, não falam porque não sabem, outras vezes porque não vivem o que dizem. E os filhos acabam ficando desorientados no mundo.
– E o que esses pais deveriam dizer aos seus filhos?
– O que os pais cristãos sempre disseram: que a fé é para ser vivida, que a nossa felicidade está em seguir os mandamentos de Deus, que devem levar uma vida de oração e de amizade com Deus, que é importante ir à Missa, que é preciso respeitar os mais velhos, que não se deve roubar, nem mentir, que não sejam consumistas, que perdoem aos demais, que sejam pessoas de paz, que vivam a castidade e se guardem para o casamento e sejam fiéis. Tudo isso e muito mais.
– Vó Zuza, se a senhora deixar, vou colocar a figura da vaca mais perto da figura do Menino Jesus, pois acho que ela merece.

2.3 - A convocação da vaquinha

A CONVOCAÇÃO DOS ANIMAIS
– Vó Zuza, a senhora já explicou a historia da criação do burro e da vaca, mas ainda não contou como se cumpriram as profecias de que uma vaquinha estaria no presépio!
– Então, passemos à essa parte da história: o cumprimento das profecias sobre a vaquinha do presépio.
O Anjo Gabriel já tinha sido enviado a Maria, para anunciar que Ela seria a Mãe do Messias. E como Maria tinha respondido generosamente que sim, Deus já estava presente no seu seio. Talvez tenha sido o momento mais importante da história dos homens e de toda a criação! Embora no momento em que isso aconteceu, ninguém o tenha percebido, pois Maria não quis contar a ninguém que estava grávida.
A convocação da vaquinha do presépio
Nisso, Deus chamou o anjo Fanuel e disse-lhe:
– José está preocupado porque Maria em breve dará à luz a Jesus e terá que amamentá-lo. Por isso, pediu-me um presente: uma vaquinha leiteira, para que Nossa Senhora possa tomar leite durante estes dias. Portanto, Fanuel, vai resolver este assunto.
Ontem, José e Maria bateram à porta de uma casa bem pequena, de uma família pobre; são pobres, mas não miseráveis: têm uma vaquinha que dá leite, em quantidade suficiente tanto para eles quanto para a Sagrada Família. Convence a vaquinha a passar uns dias no presépio, e os seus donos a emprestá-la. Mas não reveles aos donos que o meu Filho está para nascer.
Fanuel dispôs-se a cumprir essa missão com criatividade, entrando naquela mesma noite nos sonhos dos donos da vaquinha. Ao acordar, a dona da vaquinha contou o seu sonho ao marido:
– Meu bem, eu tive um sonho muito diferente esta noite!
– Pois eu também. Mas conte-me primeiro o seu.
– Sonhei com um anjo cujo nome era bem estranho: Fanuel. No sonho, ele dizia-me que eu tinha fechado o coração a Deus por não ter acolhido aquela família que havia batido à nossa porta, ontem de tarde. Expliquei-lhe que a nossa casa era pequena e que não caberiam aqui. E perguntei-lhe então: “Que posso fazer?”
Não esperava resposta alguma, quando ele me disse: “Pelo menos, leve-lhes um pouco de comida e empreste-lhes a vaca para que possam tomar leite enquanto estiverem na gruta. E deixe a senhora dessa família utilizar o seu fogão a lenha quando Ela quiser”.
E acordei decidida a fazer tudo o que o anjo me disse no sonho.
O marido disse-lhe:
– Pois eu sonhei o mesmo. Só pode ser coisa de Deus! Vamos levar-lhes a nossa vaquinha.
Enquanto isso, o anjo Fanuel foi convencer a vaquinha leiteira.
– Vaquinha leiteira tão formosa, sou Fanuel e venho da parte de Deus para informá-la de que Ele escolheu você, dentre muitos outros animais, para que o sirva e adore o seu Filho na gruta de Belém.




Assustada, a vaquinha respondeu:
– Tem certeza? A mim?! Não é possível! Você, pelos vistos, não sabe que o meu prestígio não anda lá muito alto por aí!
– Vaquinha, não importa o que os outros animais pensem de você; só interessa o que você é diante de Deus!
A vaquinha disse com a voz tristonha:
– Está bem, está bem, eu vou!
Mas Fanuel continuou:
– Formosa, você não pode ir ao presépio como quem vai para o matadouro! Deus não a deixará entrar! Deve ir alegre como quem vai para o céu, pois o presépio é precisamente uma das suas portas.
E insistiu:
– Há alguma coisa que a preocupe? Abra o coração comigo, para que eu possa ajudá-la.
– Fanuel, aposto que, se eu for com você, dirão que não tenho opinião própria, que sigo o primeiro que aparece, que sou uma vaquinha-de-presépio.
– Formosa, não sou qualquer um! Venho da parte de Deus! E seguir a Deus é o que vai dar sentido pleno à sua vida. Cumprir a missão para a qual Deus a destinou é que dará sentido e realização à sua vida.
Mas vejo que você ainda se preocupa muito com a sua imagem e que é isso o que a impede de aceitar a vontade de Deus. Formosa, não tenha vergonha de ser boa! Os que se comportam mal e falam mal de você é que deveriam ter vergonha do que fazem! Sem o menor fundamento, acusam os que conhecem a Palavra de Deus e são coerentes com os seus ensinamentos de “radicais” ou de “vaquinhas-de-presépio”. Mas não dê ouvidos aos animais nem aos homens, pois poucos são de total confiança; dê ouvidos a Deus.
Em Deus não se pode crer a meias. Ou cremos que Ele é a verdade, a bondade em pessoa, e que tudo que nos diz e pede é para nosso bem, ou não acreditamos que seja Deus! Orgulhe-se de ser uma vaquinha de presépio, e não tenha receio de ser feliz, como jamais será nenhum dos que a acusarem.
– Puxa, Fanuel, que bronca você me deu! Mas fez-me ver as coisas mais claramente. Agora, sim, estou preparada para entrar no presépio. Estou disposta até a ser incompreendida, se Deus assim o permitir.
Mal a Formosa terminou de aceitar a sua convocação para o presépio, os seus donos chegaram para apanhá-la e levá-la até a Sagrada Família.
José assustou-se ao ver que traziam uma vaquinha leiteira para o presépio, mas imediatamente agradeceu a Deus que o seu pedido tivesse sido atendido tão rapidamente. Além da vaquinha, os vizinhos traziam também alguns queijos e uma torta, e puseram o seu fogão de lenha à disposição de Maria. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

3.1 - A criação das ovelhas

A criação das ovelhas e cordeiros
No sexto dia da Criação, Deus criou os animais terrestres.
Na criação dos cordeiros e ovelhas, Deus utilizou a neve mais branca das altas cordilheiras. Fez de uma só vez vários bonecos de neve, no formato do Cordeiro idealizado na sua mente. Depois de terminar os bonecos, deu um longo assobio. Mal o som chegou aos ouvidos das ovelhas e dos cordeiros, eles se tornaram seres viventes.




E Deus disse-lhes:
– Vós, cordeiros e ovelhas, sereis seres que vivem para os outros. A vossa felicidade estará em pensar nos outros antes de pensardes em vós mesmos. Tereis o saudável costume de estar sempre pendentes dos outros cordeiros e ovelhas. Além da pele, tereis uma cobertura de lã, macia, sem qualquer aspereza. Sereis incapazes de machucar algum outro ser. Por vossa lã, muitos já não sentirão mais frio no inverno e poderão vestir-se de forma elegante.
Nenhum animal será capaz de uma generosidade como a vossa: sereis capazes de dar a vida pelos outros, amorosa e silenciosamente.
E o mais importante: um dia, alguns dos vossos descendentes estarão na gruta de Belém, e roubarão o coração do meu amado Filho desde aquele momento em que ainda é um bebê.
– Vó Zuza, a senhora deixa-me tentar descobrir de que tipo de pessoas os cordeiros e ovelhas são figura?




– Claro que sim, Miro. Gostaria de conhecer a sua interpretação.
– Pois bem, elas tornaram-se seres vivos quando ouviram o assobio de Deus. Sabemos que Jesus diz de si mesmo que é o Bom Pastor que guia as suas ovelhas. Logo, as ovelhas e cordeiros são figura de todos os homens que ouvem o assobio de Jesus e o reconhecem e o seguem.
– Com certeza, Miro, mas não basta. Como é que as pessoas se fazem figura das ovelhas que seguem Cristo?
– Penso que é quando levam uma vida sacrificada.
– Muito bem, é isso mesmo! Mas ser sacrificado não basta para ser ovelha! Pois há muitas pessoas que se sacrificam na vida para ter fama, sucesso, dinheiro, beleza física, até mesmo para fazer coisas erradas. Essas pessoas não são ovelhas.
– É verdade. Então, deixe-me completar a minha resposta. São ovelhas aquelas pessoas que sabem sacrificar-se não movidas por interesses pessoais, mas por amor a Deus e por amor aos outros.
– E não é que você está ficando sabichão?!
– Vó Zuza, não me trate como criança! Sabe quantos anos tenho? Quinze!
– Puxa, com quinze anos eu comecei a namorar o seu avô e com dezenove nos casamos!...
Mas voltemos à explicação da história. Foram cordeiros e ovelhas tantos mártires do cristianismo que derramaram o seu sangue e deram a vida por Deus; e também o são aquelas pessoas que se sacrificam por amor a Deus e aos outros dando a sua vida gota a gota, dia a dia. São elas que seguem mais de perto Jesus Cristo, que é o Bom Pastor e ao mesmo tempo o Cordeiro, que deu a sua vida silenciosamente por todos nós. Mas ainda há outras pessoas que são ovelhas. Quem você acha que são?
– Acho que... vou deixar a senhora explicar.
– Pois bem, as ovelhas também representam as pessoas que têm um coração manso, que não se irritam à toa, que renunciaram à cólera nas suas vidas, que abandonaram o furor e a raiva, e por isso vivem alegres e com uma paz imensa na alma. Essas pessoas normalmente criam um ambiente muito agradável ao seu redor, um ambiente de descontração e de carinho, fundamental para que os outros se sintam bem.
A lã da ovelha representa a capacidade de lidar com pessoas de temperamento mais agressivo. Como diz um antigo ditado: “Nada pára melhor a força de uma bala do que a lã”. Por tudo isto, as ovelhas aquecem o ambiente, dão calor e aconchego aos outros.
– Como fazem falta, hoje em dia, ovelhas no nosso mundo, né, vó?! Eu que não tenho muitos anos, nem muita experiência, percebo como as pessoas por aí vivem irritadas, tratam os outros de maus modos e com grosseria. E acabam machucando as pessoas com quem se relacionam, até as que mais amam.
– Sim. E como essas pessoas “não aceitam levar desaforo para casa”, e querem devolver todas as ofensas que sofreram, acabam passando mal e sofrem terrivelmente.
Às vezes, é por tão pouca coisa!: um pequeno atraso do ônibus, uma explicação mal dada de uma professora, ou um pequeno percalço na hora do café da manhã, quando uma criancinha derruba o leite. Basta qualquer dessas coisas para que o seu dia já azede. E vão carregar o seu mau humor por horas e horas, senão por dias inteiros. Além de que criam um clima insuportável à sua volta.
Miro, por tudo isto que vimos, as ovelhas e os cordeiros merecem estar bem perto de Jesus no presépio, pois são como Ele: mansos e humildes de coração. 

3.2 - A convocação das ovelhas

A convocação das ovelhas e cordeiros
Chegada já a véspera do Natal, Deus chamou o anjo Fanuel para que cumprisse a terceira parte da sua missão.
– Fanuel, Eu gostaria de dar uns cordeiros e umas ovelhas ao meu Filho, que vai nascer amanhã, como presente de Natal. Deves, portanto, convocar as ovelhas e os carneiros para o Natal. Desta vez, não precisas convencer o pastor que as vigia: basta que convenças um pequeno grupo de ovelhas e cordeiros para que se dirijam ao presépio.
– Mas, Senhor, não haverá problemas com o pastor? Não ficará muito triste de perder essas ovelhas?
– Não te preocupes, pois já pensei em tudo. Na verdade, muito em breve devolverei as ovelhas ao pastor. Elas só ficarão uns dias com a Sagrada Família, para oferecerem ao Menino a sua mansidão e o seu calor. E assim atrairei ao presépio o pastor, que sairá à procura das suas ovelhas, de maneira que também ele possa conhecer o Messias prometido.
Depois de ouvir a explicação, Fanuel saiu como um raio em direção a um pequeno grupo de ovelhas que estava perto da gruta de Belém. Apareceu com um grande clarão e disse às ovelhas:
– Não tenham medo, mansas ovelhinhas, pois lhes trago boas novas: Deus escolheu-as para o seu presépio, para que vocês vejam o Salvador que vai nascer amanhã na gruta de Belém.
Mas todas as ovelhas responderam a uma só voz:
– Tem certeza? A nós?!
E todas olharam para a ovelha mais velha, escolhendo-a como porta-voz. Fanuel perguntou-lhe:
– Qual é o seu nome, ovelha-líder?




– Meu nome é Alba, mas as outras me chamam de Dona Branca, pela minha idade. Fanuel, você tem certeza de que Deus nos escolheu? Não passamos de umas pobres ovelhinhas muito comuns!
– Alba, como não temos muito tempo, vou dar-lhe um só argumento: vocês são os animais prediletos de Deus, tanto assim que o Emanuel, Deus-conosco, quis ser representado por um Cordeiro.
Todas as ovelhas, impressionadíssimas, exclamaram a uma só voz:
– Oh!!
– Não conhecem as profecias?
– Fanuel, ninguém nos contou. Você se importaria de no-las contar?
– Jesus foi descrito pelo Profeta Isaías, no momento da sua morte, como um cordeiro: “O castigo pelas nossas faltas, que devia cair sobre nós, caiu sobre Ele. Maltratado, não abriu a boca, como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador”.
– Fanuel, que passagem bela e poética! Mas que significa realmente?
– Jesus, que nascerá amanhã, vem à terra para padecer. Ele é o verdadeiro Cordeiro do sacrifício que tirará os pecados do mundo, pois derramará o seu sangue até a morte pelos homens, pela purificação dos seus pecados e faltas. Ele, que nunca cometeu pecado, morrerá pelos pecados dos homens.
Quando Fanuel olhou, todas as ovelhas estavam chorando com a sua explicação.
– Não fiquem assim. Logo depois Ele ressuscitará e irá para o céu, onde ficará como Cordeiro Imolado, mas vivo.
– Pode deixar, nós iremos para onde você disser. Mas será que não podemos morrer no lugar do Cordeiro Imolado?
– Não, isso não será possível porque só Ele pode resgatar os homens dos seus pecados.
– Fanuel, não se esqueça de que dizem de nós que temos personalidade fraca, e acrescentam em tom de pena: “Coitada, não passa de uma ovelhinha!”
– Alba, sei muito bem que esse é um preconceito comum, mas é inaceitável: as ovelhas não são seres sem personalidade! Ser manso exige uma personalidade marcante! Só quem é forte por dentro consegue não dar rédeas soltas aos seus sentimentos, dominar as suas primeiras reações de indignação, conter os acessos de ira, não ter manifestações temperamentais desmedidas e manter a serenidade e a paz interior em qualquer situação, mesmo nas mais difíceis e cheias de conflitos. E sabe fazê-lo porque tem um grande domínio de si mesmo: dos seus sentimentos, das suas palavras e das suas reações. São fracos, sim, os que explodem com qualquer coisinha, os que perdem a serenidade diante da menor contrariedade.
Quando o Cordeiro que tirará o pecado do mundo percorrer estas terras, mostrará que ser manso é também ter zelo pelas coisas de Deus, a ponto de expulsar da sua casa os que dela fazem uma feira-livre, de corrigir com energia as pessoas que erram, mas sem humilhá-las nem machucá-las, e de gastar-se e desgastar-se a serviço dos outros. Assim, mudará a imagem que as pessoas têm dos cordeiros e das ovelhas. Por isso, Alba, tenho a certeza de que, se alguma coisa não estiver bem no presépio, vocês serão as primeiras a tomar alguma iniciativa para resolver o problema.
Alba e as suas companheiras dirigiram-se todas alegres para o presépio. Como a gruta era pequena e já estavam lá uma vaca e um burro, só a Alba entrou, depois de combinar com as outras que, no momento certo, as chamaria para que, uma após a outra, também pudessem ver o Menino Jesus. Alba entrou de mansinho e pôs-se atrás do burro e da vaca. Quando Maria e José se deram conta da sua presença, não acharam mal e deixaram-na no seu cantinho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

4.1 - O Natal no presépio

O casal de pombos
– Vó Zuza, posso fazer uma pergunta sobre outro animal do presépio?
– Claro, Miro! Mas sobre que animal você quer saber?
– Sobre os pombinhos.
Mas já não há nenhum pombinho no presépio de Deus!
– No da senhora, há. Olhe, ali tem um casal de pombinhos. Não é à toa, né, vó?!
– Miro, você promete não contar a ninguém?
– Prometo.
– Pois não é à toa, não. A pomba é figura das pessoas simples, dos pequeninos, que têm a alegria de entender as revelações de Deus. E, além disso, o próprio Espírito Santo escolheu uma pomba para o representar. Por tudo isto, eu gostaria de ser uma pombinha de Deus. E sem a companhia do seu avô eu não fico.




NATAL NO PRESÉPIO
Estando eles ali na gruta, completaram-se os dias para o nascimento do Menino Jesus. E Maria deu à luz o seu filho primogênito e, envolvendo-o em panos, reclinou-o na manjedoura.
– Assim foi o nascimento de Jesus.
– Mas, vó Zuza, a senhora deteve-se tanto nos preparativos e depois só diz isto sobre o momento mais importante!
– Miro, quanto ao Natal, só Nossa Senhora poderá explicar exatamente o que aconteceu. Portanto, só no céu saberemos de tudo tintim por tintim. Eu só posso contar o que está no Evangelho.
– Mas a maior parte das coisas que a senhora me contou até agora não está na Bíblia! Tem certeza de que não poderia contar um pouco mais do Natal?
– Eu, como você, também queria saber mais sobre o Natal, e sempre pensava nisso nas minhas orações diante do presépio. Até que um dia soltei a imaginação e sonhei acordada com o dia de Natal...
– Vó Zuza, conte-me então como a senhora imaginou o Natal.
– Ora, você sabe como a minha imaginação é fértil.
– Não tinha reparado, vó!
– Miro, deixe de ironias, senão não lhe conto o resto.
– Por favor, era só uma brincadeirinha!...
– Você sabe que os sonhos nem sempre são de confiança. Portanto, se contar o meu sonho a alguém, eu desminto tudo.
– Vó Zuza, sei que somente os sonhos de Deus são realidade; os nossos, não.
– Está bem. Se é assim, posso contar-lhe o que se passou. No sonho, fui parar em Belém.
– A senhora foi a Belém?!
– Uai! Você não sabe que para a imaginação não há limites nem de tempo nem de lugar?
No começo, pensei que Deus queria que eu estivesse ali pela minha vasta experiência: já tinha tido os meus treze partos, e havia-me tornado a parteira mais conhecida da cidade. Mas depois descobri que não era nada disso. Ele apenas queria que eu ajudasse Maria nos primeiros cuidados com a criança, como ajudei todas as minhas filhas e noras.
Apresentei-me à Sagrada família como a parteira de Belém, que vinha ajudar Maria no que fosse preciso. José gostou muito da minha presença e ficou um pouco mais tranqüilo ao saber da minha longa experiência.
Quando chegou a hora, Maria avisou-me:
– Acho que Jesus vai nascer.
– Tem certeza?
– Tudo indica. Olhe ao seu redor.
Algo surpreendente tinha acontecido: José, que estava lá fora juntando lenha para a fogueira, estava parado, agachado para pegar um galho caído no chão. O burro, a vaca e a ovelha estavam também imóveis, como se brincassem de estátuas vivas. Eu disse a Maria:
– Acho que o tempo parou.
E Ela respondeu-me:
– Sim, a eternidade de Deus está entrando agora no nosso mundo!
Corri para o lado dEla e pude observar tudo. Jesus começava a nascer, mas não como os outros bebês. Como se estivesse no estado glorioso, atravessou milagrosamente o corpo de Maria, como atravessaria mais tarde as paredes, depois de ressuscitado. Parecia que o seu corpo estava composto apenas de luz. E desprendeu-se da sua Mãe como uma fruta madura se solta da árvore que a nutriu.
– Vó Zuza, então quer dizer que o Menino Jesus nasceu glorioso?
– Miro, não disse isso. Disse apenas que nasceu milagrosamente. Mas eu podia segurá-lo. E tive a honra – lembre-se de que era um sonho! – de ser a primeira pessoa a tomá-lo no colo. Era a Criança mais bonita que já vi. Transmitia uma paz e uma alegria que não sou capaz de descrever.
– O Menino Jesus era diferente de nós?
– Não, Miro, aparentemente não tinha nada de diferente, era igualzinho a nós! Posso afirmar que o seu corpo era exatamente como o corpo dos meus sete filhos homens, quando nasceram. Só que era mais perfeitinho da cabeça aos pés!
Logo em seguida, passei o Menino a Maria.




Nesse instante, olhei para os animais do presépio e eles continuavam imóveis, sem reação. Foi então que tive uma visão surpreendente. Ao olhar para o burrinho, vi milhares ou talvez milhões de pessoas que se identificarão com o burrinho, com uma vida de serviço a Deus e aos outros. Ao olhar para a vaquinha leiteira, vi um mar de pessoas que, com a sua vida, exemplo e ensinamentos, alimentarão inúmeras outras pessoas com a Palavra de Deus. Olhando para a ovelha, vi uma avalanche de pessoas mansas e dispostas a qualquer sacrifício por amor a Deus e aos outros. Compreendi que todas essas pessoas serão as que adorarão Jesus no presépio ao longo de toda a história e até o fim dos tempos.
Voltei-me para Maria com o Menino nos braços e emocionei-me ao observar a forma como Ela tomava, abraçava e olhava o seu Filho Jesus. Percebi que o amava de todo o coração. Via o corpinho do seu bebê e ao mesmo tempo reconhecia nEle a sua divindade, por mais que a sua glória estivesse oculta. Era a primeira vez que Maria via o rostinho de Deus, e adorava-o totalmente extasiada!
Nesse momento, ouvi o choro forte de uma criancinha totalmente saudável. E, ao som do choro de Jesus, o tempo voltou a correr para os outros seres.
José veio correndo, pois lá de fora ouvira o choro de Jesus. 




Maria passou o Menino para os seus braços fortes. Todos estavam emocionados por ver Deus tão pequenino e desvalido. José, que sempre parecera o mais forte de todos, chorava e ria ao mesmo tempo, como uma criança emocionada que recebe o presente que mais esperava na vida! Depois de contemplar o Menino Jesus por algum tempo, devolveu-o a Maria.
Os animais estavam eufóricos. A vaca reclamava com o burro que as suas grandes orelhas não a deixavam ver bem a cena. O burro perguntou-lhe:
– E onde está a ovelha? Aonde ela foi parar?
Alba tinha saído para chamar as outras ovelhas. Fazia tempo que tinha elaborado um plano para que o Menino não fosse posto nas palhas da manjedoura, que podiam pinicá-lo. Mas as ovelhas tinham-se espalhado um pouco, e assim Maria envolveu o Menino em panos e reclinou-o na manjedoura. Mas ele não estava bem ali, tanto que voltou a chorar.
De repente, várias ovelhas saltaram a cerca lateral do presépio e alinharam-se ao lado da manjedoura, formando com os seus corpos um berço quentinho e acolchoado. José e Maria olharam um para o outro, aprovando a iniciativa das ovelhas. Nossa Senhora pôs o Menino no berço-de-ovelhas, e logo Ele parou de chorar.




As ovelhas, além de servirem de berço para o Menino Deus, deram também a sua lã para que Maria pudesse tricotar roupas bem quentinhas para Jesus. A vaca e o burro funcionaram muito bem como grandes radiadores no presépio, elevando a temperatura do ambiente. A vaca forneceu leite abundante para a Sagrada Família, que depois serviu de matéria prima para os saborosos queijos e doces-de-leite que eu ajudei a fazer na casa da vizinha. E o burro serviu não só no caminho para Belém, como também em todas as demais viagens da Sagrada Família.
Naquela noite, todos os anjos foram visitar o presépio de Deus, embora não se tenham manifestado de forma corpórea para não assustar o Menino com tanta gente desconhecida de uma só vez. Ao voltarem para o céu, todos felicitavam Fanuel pelo seu excelente trabalho.
– Vó Zuza, acho que agora compreendi bem a missão dos animais e também a sua missão no presépio. Que bela história a senhora me contou!